terça-feira, 5 de março de 2013

"Lincoln" e "Dezesseis Luas" (a brief review)


Ok. Mais uma segunda feira se passou com dobradinha no cinema. Acho muito digno ver dois filme por R$10,00! Dessa vez assisti aos filmes Lincoln e Dezesseis Luas.

Sobre o primero posso dizer que a maquiagem, o figurino e a fotografia estavam realmente bem produzidos. Fora isso, estou extasiado com as ideias desse presidente... Não sei se porque não ...sabia ou não lembrava o que estudei no Ensino Médio, mas PQP esse cara deveria ser o presidente de todas as Nações do Globo Terrestre Unidas. Eymém! Ao final do filme tinha gente chorando, não sei se porque se identificou com a luta abolicionista ou se porque pesou a consciência sobre o quão racista tem sido no dia-a-dia... Whatever, a conclusão a que se chega é que os EUA definitivamente não seguem hoje o legado de Lincoln sobre igualdade, política e democracia... Mas quem sabe o filme não está aí para relembrá-los, não é? Ah, sim! O lance do Axioma de Euclides que ele cita (bem colocado, por sinal) "duas coisas iguais a uma terceira são iguais entre si" resume o propósito do ideal desse presidente e do filme (espero eu).


Sobre o segundo filme do dia, vamos retirar toda a fantasia sobre um bruxo saber fazer chover ou nevar ou disparar raios e girar mesas... Também vamos tirar, ainda, a necessidade de sempre haver uma história de amor para determinar as escolhas da personagem principal indecisa (tipo a Bella Swan, da saga Crepúsculo), e temos "Dezesseis Luas" apresentando uma construção inteligente do texto, além de citações de livros e referências a escritores.

All right, my dear! Let's talk about o conteúdo - e aqui repito, sem todas aquelas fantasias de filme americano citadas acima - gostei da denúncia (ou apenas constatação) dos moralismos hipócritas interioranos ditos "valores cristãos" (sem representarem com propriedade o nome que carregam), não só estadunidenses, mas do mundo em geral. Interessante também a discussão sobre a dicotomia bem/mal e seu equilibrío, que foge aos padrões das histórias de super-heróis, o que deixa a personagem principal bastante próxima da condição humana e sua real natureza.

Olhando por esse viés a única coisa que poderia dizer é que NÃO É perda de tempo assistir Dezesseis Luas. Até gostei bastante!

BOM, SEGUNDA-FEIRA QUE VEM, SE CONTINUAR A ENTRADA DE R$5,00 TEM MAIS CINEMA... RSRSRSRS
Hugs and kisses

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Paixão tem cura?


Esteja com pessoas com as quais você se sinta bem, que te proporcionem alguma completude, com quem você possa conversar e rir e ter atração. Estar apaixonado não é garantia de que tudo isso possa acontecer, aliás muitas vezes a paixão só atrapalha: ela vem de supetão, você esquece de si mesmo e vive em função do bem-estar do outro, ainda que não seja correspondido. Peraí quem disse que isso é saudável??? 
Já ouvi "estou completamente apaixonado" e um mês depois, da própria pessoa: "acho que não sinto mais nada". Paixão é fogo de palha, vem e vai embora, dói e efetivamente se sente. Não é à toa que tantos escreveram muito mais sobre o amor que sobre a paixão. Sobre esta última as poesias, textos e histórias associam-na a coisas materiais, carnais e efêmeras... Mas a maioria das pessoas não percebe isso, confunde paixão com amor. 
Amor existe quando você pensa consigo mesmo: "apesar de..." e não "por causa de...". Amor "é", paixão "está". Que me venha um amor, não uma loucura que me faz perder a cabeça! Chega de me atirar nos braços, alterar minha rotina, esquecer de mim. Doação tem limite. Ser idiota também. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Do outro lado


Depois de milhares de anos...
Segue um sonho que tive ontem, transformado em mini-conto!

Era um dia comum, de rotinas a serem cumpridas, exceto pelo fato de que algumas pessoas haviam sido escolhidas para uma viagem interplanetária. Incrivelmente eu também havia sido escolhido, arrumei minhas malas e embarquei. Ao longa da viagem todos adormeceram, e nada recordamos do trajeto até a base de pouso em que nos encontrávamos. Havíamos chegado a um planeta parecido com a Terra.

Na recepção dos terráqueos conversei com outros que estavam no ônibus espacial comigo. Eram pessoas conhecidas, que não tinham muito contato comigo na Terra, mas que acabaram se aproximando, talvez pela condição em que nos encontrávamos. Estranhávamos os seres humanos habitantes daquele planeta. Eram estranhos, desconfiados e monitoravam os terráqueos, mandando alguns de nós para abrigos, sem qualquer razão que nos fosse plausível.

No hall de entrada, havia uma réplica daquele planeta em miniatura, com formato e textura de queijo. Os habitantes acreditavam que a parte consistente era onde estavam os vivos e a parte mais mole era onde os mortos habitavam. Eu olhava a miniatura, juntamente com uma conhecida da viagem, com estranheza, perguntando a ela se aquilo poderia ser verdade.

Em um dado momento, já agoniados com tanto mistério sobre o que estava realmente havendo, juntamo-nos em um grupo, os que tinham mais afinidade, e saímos daquele local para explorar os arredores, em busca de respostas. Ao ar livre, o clima era diferente, meio pesado e frio, e havia muitas paisagens belas, similares às da Terra, já outras eram estranhas, retorcidas, montanhosas e cristalizadas.

Nossa ausência foi logo percebida e vimos guardas vindo em nossa direção, mas os despistamos entrando em uma espécie de caverna cristalizada, meio retorcida, próximo de onde aterrizamos. Estávamos com medo, mas também sabíamos que não deveríamos voltar. De repente vimos silhuetas aproximarem-se e nos unimos mais, abraçando-nos. Estávamos com medo de que fossem os guardas, e rezamos. Quando aquelas imagens de pessoas revelaram-se, foi um espanto e também um alívio: eram 4 jovens, 3 meninos e 1 menina, que nos perguntaram porque estávamos ali.

A porta-voz deles foi a menina, a única que parecia nos ver de fato. Os demais apenas nos ouviam. Falamos que fugíamos dos guardas, mas os jovens não compreendiam e diziam apenas que não deveríamos estar ali. A garota pediu para que fôssemos com ela e os demais rapazes, então os seguimos. Eles nos levaram até uma espécie de nave, um disco oval, um pouco achatado todo branco, que sairia da plataforma onde desembarcamos. Despistamos a segurança e entramos na espaçonave. Mesmo sem saber dirigir corretamente aquela máquina, fomos guiados pelo instinto e pelo raciocínio lógico para fazê-la se deslocar. Infelizmente foi por um curto período, pois não fomos capazes de evadir a atmosfera do planeta, sendo reconduzidos pelo sistema de segurança local à base de decolagem.

Ao retornar, percebemos que não havia como sair de lá e começamos a refletir sobre o que realmente tinha acontecido conosco para terem-nos colocado naquela viagem rumo a um planeta desconhecido. Os guardas reconduziram-nos à recepção dos terráqueos e, posteriormente, ao abrigo. Olhávamos ao redor e sabíamos que não era uma cortesia daquelas pessoas estarmos ali. Éramos prisioneiros, estávamos certos disso. A noite caiu e contemplamos um céu espetacular: milhares de estrelas completamente diferentes das que estávamos acostumados. Planetas vistos claramente a olho nú, em imagens giganstescas, e luas ao seu redor. Estávamos em um mundo completamente novo, estranhamente novo. Finalmente o sono veio e dormimos.

Eu me vi no alto, a contemplar a terra e vi meu país, minha cidade, e um grande amigo de muito tempo, o Thiago, a quem chamava de Tico. Não imaginava, no sonho - e nem poderia - que estava tão distante daquele contexto. Apenas peguei meu celular e liguei para ele, como nos velhos tempos, quando ligava da minha casa. Ele atendeu e comecei a perguntar o que tinha acontecido comigo, por que estava preso ali onde estava, se desejava tanto estar perto dele e das pessoas com quem convivia. Percebi que o Thiago ficou todo o tempo em silêncio, enquanto eu falava. Algo estava definitivamente errado.

Ele começou a dizer que não acreditava que estava fazendo uma ligação para o seu celular, que aquilo era impossível. Eu não poderia ligar, estava morto! Todos que estavam comigo estavam mortos!

Acordei repentinamente e fiz os outros levantarem. Contei-lhes o sonho e choramos. Sim, tudo agora fazia sentido, estávamos mortos. E revivemos em nossas mentes cada momento da viagem, a recepção tensa, a fuga, os jovens que podiam nos ver e não entendiam o porquê de estarmos ali. Éramos espíritos, fizemos uma intersecção com o mundo dos vivos nas cavernas cristalizadas, por isso eles nos viram. Eram dotados desses dons de comunicação com os mortos e de guiá-los, mas eram jovens demais, sabiam apenas em parte o que estavam fazendo e, por isso, levaram-nos para fugir dos guardas, ou melhor, guardiões. Eles protegiam as passagens de intersecção para que não houvesse volta ao mundo dos vivos, o que não realizavam com tanto sucesso ante a força de vontade dos corações dos recém-chegados de estarem juntos dos seus.

No fim, encontros e partidas, a grande lição a ser aprendida era deixar os pedaços que restaram para trás e aprender a viver o que estava por vir de uma nova vida.