quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sobre cotas raciais (Anti-Sheherazade)

Sobre cotas raciais (contra-argumentação a respeito da opinião da "jornalista" Rachel Sheherazade, acostumada a falar sobre problemas sociais sem estar envolvida neles...).

Começo com os dados comprobatórios. As cotas beneficiavam estudantes de Federais, agora também beneficiam cerca de 400 mil estudantes com o ProUni, com 8% das vagas. Cerca de 59.342 no ano passado para as Federais e Estaduais. Quase 500 mil vagas no Ensino Superior. Diante do número de habitantes do país pode parecer pouco, mas é muita coisa para esses 500 mil, cujo espaço na Universidade de acesso "embranquecido" (consequência das melhores condições educacionais e econômicas para os mais abastados, majoritariamente brancos) pôde ser garantido por essa ação afirmativa. Ainda para temperar mais os dados, uma pesquisa feita pela UERJ com 20% dos ex-cotistas da instituição mostra que 90% estão no mercado de trabalho e 60% destes em sua área de formação. 90% dos cotistas pioneiros não pensam em parar os estudos, entre eles, 67% já concluíram cursos de pós-graduação e 39% frequentam mestrado (pesquisa bibliográfica via Thainá de Bragança, minha ex-aluna do Ensino Médio. Parabéns, futura promotora!).

Sempre ouço que os negros deveriam entrar na universidade com condições iguais de disputa, pois "é mais coerente entrar igualmente do que fazer um brilhante curso e ter desempenho acima dos não cotistas", dizem. Por favor, quem determinou que "o acesso 'igual' na entrada é mais coerente do o desempenho brilhante na saída"? Qual a lógica disso? Vamos lá: o sistema de cotas não é para sempre, é por um período, apenas. Se a pessoa entrou por cotas, significa que houve um déficit sócio-econômico-educacional do país para essa população cotista e está sendo reparado por medida temporária de promoção desse acesso, já que as políticas públicas neste país, historicamente, nunca foram suficientes para ampararem todas as áreas essenciais a essa população específica. Por esta razão, devo ser a favor das cotas como medida TEMPORÁRIA (exatamente como é o seu caráter) de inclusão no Nível Superior.

Nos séculos XVII a XIX, queria-se no Brasil um "embranquecimento" do povo brasileiro, e de certa forma conseguiram ao restringir o acesso da população negra às áreas intelectuais, deixando investimentos na educação, inclusive a mais básica, dessa população de lado. Quando se estabelecem cotas, os candidatos competem entre si por uma porcentagem mínima de vagas e o desempenho acadêmico destes tem se mostrado efetivamente muito bom e até superior aos não cotistas (que também não significa 'brancos', mas apenas aqueles que não entraram no sistema de cotas, havendo também negros que não quiseram disputar por este sistema). Lembremos, ainda, que na UnB, por exemplo, há cotas para negros, para alunos de redes públicas, para índios e também um curso específico para surdos (Letras - LIBRAS).

Portanto, tratar os desiguais desigualmente para se atingir a igualdade de direitos é um princípio extremamente constitucional. E pretos e pardos beneficiados não receberam nada de graça: estudaram e disputaram essas vagas, fizeram o curso, demonstraram-se competentes academicamente, ingressaram e ainda ingressam sem déficit de conhecimento profissional no mercado de trabalho. Isso traz um equilíbrio nas profissões, afinal ser médico e advogado não é profissão de branco, opinião que neste país sempre foi alimentada pela opinião pública e pela realidade do mercado. Aliás, qualquer profissão é de qualquer capacitado profissionalmente, independente da raça.

Agora, por que ninguém critica o Instituto Rio Branco por abrir cotas para negros receberem bolsas de estudo, isso eu não sei. Ah, claro, o lance é questionar o acesso à Universidade, afinal sempre tem que não conseguiu entrar e resolve dizer que foi privado da sua chance pelo sistema de cotas...

Fato é que já se vai muito tempo da implantação do sistema de cotas em universidades públicas e a Educação Básica ainda está em déficit para com a população negra (além da população em geral) em políticas públicas de melhoria da qualidade de ensino. A necessidade da reforma da Educação Básica e o atingimento das metas do PNE são demandas que precisam acontecer conjuntamente à implantação do sistema de cotas, entretanto deixar uma coisa para se fazer outra primeiro também não se torna solução.

Em parceria com este processo ideal de melhoria educacional é EXTREMANTE NECESSÁRIO que haja melhoria socieconômica, pois sem dinheiro para comer, ninguém tem vontade de ir à escola, melhor é deixar educação de lado e ganhar dinheiro cuidando de carro. É nesse quesito socioeconômico que a população negra sempre foi desamparada desde a assinatura da Abolição (algo do tipo "você está livre, agora te vira 'neguinho'). Isso não pode ser desconsiderado no processo de formação econômica, social, cultural do negro como parcela constituinte da população brasileira.

Por essa razão, apoiado nos dados, o sistema de cotas é uma ação afirmativa que vem realizar uma reparação de acesso intelectual grande como nunca antes visto na história desse país, já diria o ex-presidente Lula (e concordo). Contudo, não nos iludamos: as ações políticas do Estado (seja no governo de quem for) precisam e estão obrigadas a melhorar as bases sócio-econômico-educativo-culturais conjuntamente a esse processo, e não utilizar as cotas como máscara para evitar solucionar o problema.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sobre Umbanda e Candomblé (breve reflexão e esclarecimento)

Há algum tempo havia sido questionado sobre princípios e práticas presentes nas religiões afro-brasileiras, mais precisamente sobre Umbanda e Candomblé. Pois bem, o que escrevo aqui hoje são conhecimentos sintetizados, obtidos por meio da observação, leitura bibliográfica e, principalmente, da vivência em comunidades de espiritualidade afro-brasileira, com sua tradição oral passada dos mais antigos para os mais novos participantes.

Um conhecido meu questionou-me sobre determinada nomenclatura que sempre ouvira falar em se tratando de regiões de matrizes africanas, que são as tão citadas "linha de direita" e "linha de esquerda". Essa nomenclatura faz parte da Umbanda, religião brasileira que mistura princípios do Catolicismo, Espiritismo e práticas culturais e religiosas africanas, além de princípios e cultos indígenas também.

"Direita", dentro da Umbanda, refere-se (não de maneira basilar, mas até um tanto quanto popularmente) a uma linha de trabalho espiritual de espíritos humanos (e não humanos) que já alcançaram alguma evolução e proximidade da Luz, de Deus (tendo por chefes de falanges os Orixás africanos). "Esquerda"  refere-se (também mais popularmente que oficialmente) a uma linha de trabalho espiritual de espíritos humanos (e podem haver não humanos também) que trabalham em uma vibração energética mais baixa, mais densa e que estão em evolução, entretanto ainda muito ligados à matéria e mais próximos dos humanos encarnados, por isso mais vulneráveis e suscetíveis a práticas más, se assim forem incitados pelo medium ou o consulente, razão pela qual o bom medium tem o dever de educá-los espiritualmente e ajudá-los em seu processo de evolução por meio da incorporação e aconselhamento às pessoas que os procuram, considerando isso também uma prática de caridade, pois a solução de problemas espirituais e materiais que esses espíritos proporcionam aos encarnado torna-se a caridade que os ajuda a evoluir e mudar sua condição energética (a Esquerda também tem supervisão e divisão em falanges, regidas por Orixás africanos, os quais equilibram a Ordem Espiritual).

Muito importante ressaltar a existência do sincretismos religioso entre Catolicismo, Espiritismo e religiosidades africanas das mais diferentes regiões da África, razão pela qual Orixás são identificados com nomes de santos católicos e existem nomenclaturas como "medium" e "mediunidade", próprias do Espiritismo (rf. Alan Kardec).

Em linhas gerais, e bem superficialmente, seria isso sobre a Umbanda conforme relatos ouvidos de seus praticantes e artigos lidos.

Minha religiosidade atualmente está voltada ao Candomblé, tradição de base africana construída no Brasil mediante conhecimentos orais de tradição e cultura ritualísticas trazidas com os africanos escravizados. Sua base está ancorada no culto de respeito e veneração aos ancestrais que são dignos representantes das forças primordiais do universo criado por Deus (chamado Olorun = Senhor do Céu), ou seja os elementos e elementais da Natureza. Os ancestrais a que venero com respeito pela sua sabedoria e conhecimento, na cultura iorubana, localizada principalmente na Nigéria, são chamados Orixás = sentinelas da cabeça (tradução literal).  Foram reis, rainhas, guerreiros, caçadores e caçadoras, príncipes, sábios que foram divinizados por Olorun e dados como guardiões de tribos, uma vez em sua forma espiritual, e passaram a representar, em clãs espirituais, essas forças primordiais (tornando-se "um" com elas mesmas).

Os escravizados africanos vindos desta região e demais regiões (cuja cultura e nomenclatura são diferentes, ainda que dentro do mesmo propósito e linha de raciocínio) misturaram-se nas senzalas e perpetuaram sua forma de culto, conhecimento da natureza e resistência cultural ao reorganizarem seu espaço sagrado perdido. Uma vez misturados na composição da sociedade brasileira passaram sua ascendência ancestral a cada um de nós que temos sangue africano nas veias. Por essa razão  diz-se e entende-se que cada pessoa tem um Orixá protetor e isso nos coloca ligados a alguma tribo ancestral cujo protetor foi o Orixá x, y, z...

O jogo de búzios que determina a ascendência da pessoa e seu Orixá e, dali em diante, uma vez dentro da religião, ela faz seu caminho de culto e respeito a Deus e aos Orixás que lhe protegem, bem como trabalha sua mediunidade e ajuda espíritos a evoluírem conjuntamente a este culto, isso se a comunidade a qual a pessoa for filiada também tiver rituais de Umbanda inseridos em seu contexto (o que é bastante comum no Brasil).

Começa-se dentro de uma comunidade afro-brasileira de Candomblé como um aspirante, o dito abian. Uma vez iniciado nos rituais a pessoa se torna yawo (noiva, tradução literal, também chamado elegun = escolhido), nome com o qual será reconhecido até ter 7 anos de caminho e obrigações ritualísticas completas, quando então passa a ser chamado de egbomi (irmão mais velho). São dadas obrigações ritualísticas depois de 1 ano da iniciação,  3 anos e 7 anos. Após isso há satisfações de  14 anos e 21 anos. Pessoas mais antigas dentro da religião fazem suas bodas de prata e ouro etc.

Quando se inicia e quando se dá as obrigações, ou ainda 24h antes de um ritual importante, fica-se de preceito: nada de relações sexuais, de álcool, de carne vermelha, ou coisas fortes que agridam a matéria (o corpo), além de se manter afastado de bares, igrejas, centros espiritas, e não passa perto de cemitérios, nem lugares com multidões, porque sempre há espíritos sem luz, seja pedindo ajuda, seja pra perturbar a ordem espiritual de quem ou onde tentam aproximarem-se. O kele (colar de miçangas usado bem colado ao pescoço) do nas obrigações, especialmente na iniciação, é um símbolo como uma aliança da pessoa com seu Orixá. Enquanto está no pescoço a pessoa está de preceito e vive uma vida austera, sem luxos, sem vaidades, dorme em esteira. Nesse período austero, apenas o Orixá, o guardião, aproxima-se da pessoa. Outros espíritos não se aproximam (para fins de incorporação), nem bons, nem ruins. Apenas o Orixá tem contato com o medium (como uma proteção contra influências espirituais), à exceção do ere, que é um espírito de uma criança, mensageira daquele Orixá. Erê = criança (tradução do Iorubá).

Finalizo esse breve esclarecimento com um esboço da hierarquia espiritual dentro do Candomblé e uma mensagem de combate à discriminação religiosa/racial.

Em primeiro lugar, o Candomblé não é uma religião politeísta, mas entende um Deus Único, Ser Supremo, criador de todas as coisas e também dos Orixás (como já elucidei anteriormente). Estes últimos recebem o mérito da divinização dado por este mesmo Deus para assim serem chamados e podem, dessa forma, contribuir na obra de perpétua criação e manutenção da Ordem espiritual do universo e da vida dos seres humanos encarnados e desencarnados.

Por fim, o Candomblé não é uma prática ritualística macabra e de magia negra como se ouve falar por quem desconhece a religião. Esse sistema religioso abraça a caridade e crê na influência e interferência das energias da Natureza para o bem do ser humano. O Mal é entendido como força oposta a esse Bem, pela falta de esclarecimento, e é justamente essa ignorância que conduz a práticas negativas e malignas de pessoas que, por seu livre-arbítrio e cedendo às pulsões de seus desejos e influências, escolhem a manipulação energética para a ocorrência desse mal. Ainda assim, estão sempre os Orixás a dar seus sinais pelos búzios e indicar os rituais necessários para a dissipação desse mal, chamando as pessoas que seguem por um caminho de equívocos a retornarem ao caminho da retidão e do Bem e a arcarem com as consequências das práticas que tiveram.

Que os olhos de irmandade, e jamais de acusação ou vingança, estejam em nossa face, a fim de que compreendamos que o verdadeiro Bem está na união daquilo que é comum e não na ênfase do que é diferente.

Axé!

terça-feira, 5 de março de 2013

"Lincoln" e "Dezesseis Luas" (a brief review)


Ok. Mais uma segunda feira se passou com dobradinha no cinema. Acho muito digno ver dois filme por R$10,00! Dessa vez assisti aos filmes Lincoln e Dezesseis Luas.

Sobre o primero posso dizer que a maquiagem, o figurino e a fotografia estavam realmente bem produzidos. Fora isso, estou extasiado com as ideias desse presidente... Não sei se porque não ...sabia ou não lembrava o que estudei no Ensino Médio, mas PQP esse cara deveria ser o presidente de todas as Nações do Globo Terrestre Unidas. Eymém! Ao final do filme tinha gente chorando, não sei se porque se identificou com a luta abolicionista ou se porque pesou a consciência sobre o quão racista tem sido no dia-a-dia... Whatever, a conclusão a que se chega é que os EUA definitivamente não seguem hoje o legado de Lincoln sobre igualdade, política e democracia... Mas quem sabe o filme não está aí para relembrá-los, não é? Ah, sim! O lance do Axioma de Euclides que ele cita (bem colocado, por sinal) "duas coisas iguais a uma terceira são iguais entre si" resume o propósito do ideal desse presidente e do filme (espero eu).


Sobre o segundo filme do dia, vamos retirar toda a fantasia sobre um bruxo saber fazer chover ou nevar ou disparar raios e girar mesas... Também vamos tirar, ainda, a necessidade de sempre haver uma história de amor para determinar as escolhas da personagem principal indecisa (tipo a Bella Swan, da saga Crepúsculo), e temos "Dezesseis Luas" apresentando uma construção inteligente do texto, além de citações de livros e referências a escritores.

All right, my dear! Let's talk about o conteúdo - e aqui repito, sem todas aquelas fantasias de filme americano citadas acima - gostei da denúncia (ou apenas constatação) dos moralismos hipócritas interioranos ditos "valores cristãos" (sem representarem com propriedade o nome que carregam), não só estadunidenses, mas do mundo em geral. Interessante também a discussão sobre a dicotomia bem/mal e seu equilibrío, que foge aos padrões das histórias de super-heróis, o que deixa a personagem principal bastante próxima da condição humana e sua real natureza.

Olhando por esse viés a única coisa que poderia dizer é que NÃO É perda de tempo assistir Dezesseis Luas. Até gostei bastante!

BOM, SEGUNDA-FEIRA QUE VEM, SE CONTINUAR A ENTRADA DE R$5,00 TEM MAIS CINEMA... RSRSRSRS
Hugs and kisses

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Paixão tem cura?


Esteja com pessoas com as quais você se sinta bem, que te proporcionem alguma completude, com quem você possa conversar e rir e ter atração. Estar apaixonado não é garantia de que tudo isso possa acontecer, aliás muitas vezes a paixão só atrapalha: ela vem de supetão, você esquece de si mesmo e vive em função do bem-estar do outro, ainda que não seja correspondido. Peraí quem disse que isso é saudável??? 
Já ouvi "estou completamente apaixonado" e um mês depois, da própria pessoa: "acho que não sinto mais nada". Paixão é fogo de palha, vem e vai embora, dói e efetivamente se sente. Não é à toa que tantos escreveram muito mais sobre o amor que sobre a paixão. Sobre esta última as poesias, textos e histórias associam-na a coisas materiais, carnais e efêmeras... Mas a maioria das pessoas não percebe isso, confunde paixão com amor. 
Amor existe quando você pensa consigo mesmo: "apesar de..." e não "por causa de...". Amor "é", paixão "está". Que me venha um amor, não uma loucura que me faz perder a cabeça! Chega de me atirar nos braços, alterar minha rotina, esquecer de mim. Doação tem limite. Ser idiota também. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Do outro lado


Depois de milhares de anos...
Segue um sonho que tive ontem, transformado em mini-conto!

Era um dia comum, de rotinas a serem cumpridas, exceto pelo fato de que algumas pessoas haviam sido escolhidas para uma viagem interplanetária. Incrivelmente eu também havia sido escolhido, arrumei minhas malas e embarquei. Ao longa da viagem todos adormeceram, e nada recordamos do trajeto até a base de pouso em que nos encontrávamos. Havíamos chegado a um planeta parecido com a Terra.

Na recepção dos terráqueos conversei com outros que estavam no ônibus espacial comigo. Eram pessoas conhecidas, que não tinham muito contato comigo na Terra, mas que acabaram se aproximando, talvez pela condição em que nos encontrávamos. Estranhávamos os seres humanos habitantes daquele planeta. Eram estranhos, desconfiados e monitoravam os terráqueos, mandando alguns de nós para abrigos, sem qualquer razão que nos fosse plausível.

No hall de entrada, havia uma réplica daquele planeta em miniatura, com formato e textura de queijo. Os habitantes acreditavam que a parte consistente era onde estavam os vivos e a parte mais mole era onde os mortos habitavam. Eu olhava a miniatura, juntamente com uma conhecida da viagem, com estranheza, perguntando a ela se aquilo poderia ser verdade.

Em um dado momento, já agoniados com tanto mistério sobre o que estava realmente havendo, juntamo-nos em um grupo, os que tinham mais afinidade, e saímos daquele local para explorar os arredores, em busca de respostas. Ao ar livre, o clima era diferente, meio pesado e frio, e havia muitas paisagens belas, similares às da Terra, já outras eram estranhas, retorcidas, montanhosas e cristalizadas.

Nossa ausência foi logo percebida e vimos guardas vindo em nossa direção, mas os despistamos entrando em uma espécie de caverna cristalizada, meio retorcida, próximo de onde aterrizamos. Estávamos com medo, mas também sabíamos que não deveríamos voltar. De repente vimos silhuetas aproximarem-se e nos unimos mais, abraçando-nos. Estávamos com medo de que fossem os guardas, e rezamos. Quando aquelas imagens de pessoas revelaram-se, foi um espanto e também um alívio: eram 4 jovens, 3 meninos e 1 menina, que nos perguntaram porque estávamos ali.

A porta-voz deles foi a menina, a única que parecia nos ver de fato. Os demais apenas nos ouviam. Falamos que fugíamos dos guardas, mas os jovens não compreendiam e diziam apenas que não deveríamos estar ali. A garota pediu para que fôssemos com ela e os demais rapazes, então os seguimos. Eles nos levaram até uma espécie de nave, um disco oval, um pouco achatado todo branco, que sairia da plataforma onde desembarcamos. Despistamos a segurança e entramos na espaçonave. Mesmo sem saber dirigir corretamente aquela máquina, fomos guiados pelo instinto e pelo raciocínio lógico para fazê-la se deslocar. Infelizmente foi por um curto período, pois não fomos capazes de evadir a atmosfera do planeta, sendo reconduzidos pelo sistema de segurança local à base de decolagem.

Ao retornar, percebemos que não havia como sair de lá e começamos a refletir sobre o que realmente tinha acontecido conosco para terem-nos colocado naquela viagem rumo a um planeta desconhecido. Os guardas reconduziram-nos à recepção dos terráqueos e, posteriormente, ao abrigo. Olhávamos ao redor e sabíamos que não era uma cortesia daquelas pessoas estarmos ali. Éramos prisioneiros, estávamos certos disso. A noite caiu e contemplamos um céu espetacular: milhares de estrelas completamente diferentes das que estávamos acostumados. Planetas vistos claramente a olho nú, em imagens giganstescas, e luas ao seu redor. Estávamos em um mundo completamente novo, estranhamente novo. Finalmente o sono veio e dormimos.

Eu me vi no alto, a contemplar a terra e vi meu país, minha cidade, e um grande amigo de muito tempo, o Thiago, a quem chamava de Tico. Não imaginava, no sonho - e nem poderia - que estava tão distante daquele contexto. Apenas peguei meu celular e liguei para ele, como nos velhos tempos, quando ligava da minha casa. Ele atendeu e comecei a perguntar o que tinha acontecido comigo, por que estava preso ali onde estava, se desejava tanto estar perto dele e das pessoas com quem convivia. Percebi que o Thiago ficou todo o tempo em silêncio, enquanto eu falava. Algo estava definitivamente errado.

Ele começou a dizer que não acreditava que estava fazendo uma ligação para o seu celular, que aquilo era impossível. Eu não poderia ligar, estava morto! Todos que estavam comigo estavam mortos!

Acordei repentinamente e fiz os outros levantarem. Contei-lhes o sonho e choramos. Sim, tudo agora fazia sentido, estávamos mortos. E revivemos em nossas mentes cada momento da viagem, a recepção tensa, a fuga, os jovens que podiam nos ver e não entendiam o porquê de estarmos ali. Éramos espíritos, fizemos uma intersecção com o mundo dos vivos nas cavernas cristalizadas, por isso eles nos viram. Eram dotados desses dons de comunicação com os mortos e de guiá-los, mas eram jovens demais, sabiam apenas em parte o que estavam fazendo e, por isso, levaram-nos para fugir dos guardas, ou melhor, guardiões. Eles protegiam as passagens de intersecção para que não houvesse volta ao mundo dos vivos, o que não realizavam com tanto sucesso ante a força de vontade dos corações dos recém-chegados de estarem juntos dos seus.

No fim, encontros e partidas, a grande lição a ser aprendida era deixar os pedaços que restaram para trás e aprender a viver o que estava por vir de uma nova vida.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pausa

Cavaquinho e surdo.

Parei.

Dessas paradas que a gente dá de repente, ante uma provocação.

Estava aqui diante do computador, assitindo uma videoaula, assimilando teorias, conhecimentos... E me vi ante uma provocação: a valorização do profissional que sou, pela sociedade, por mim mesmo. Duro é pensar sobre si mesmo criticamente. Pior é pensar-se criticamente e ser pelo meio que se pretende modificar desvalorizado.

Oras, o que estou fazendo? Estudando para quê? Para perpertuar um modus vivendi assim, mais ou menos, que só vai me mudar de cidade, se passar num outro concurso, mas sob condições profissionais semelhantes?

Que motivação me leva ao comprometimento profissional? O estresse diário? Não. O pouco interesse das mentes às quais supostamente medio a aquisição de um suposto conhecimento? Não. Mas há algo, ainda há algo... Certamente não seria a necessidade de superação das dificuldades financeiras; essas todo mundo de alguma forma tem (todo mundo que tem uma profissão, digamos, não muito geradora de lucros). Não?

Então continuei a observar a videoaula. Eis que foi citado um pensamento exposto no livro Gabriela, cravo e canela, que reflete o pensamento político da época de seu lançamento, mas que me ironicamente pareceu-me bem atualizado:

"E que é um professor, na ordem das coisas?
Que tem o ensino a ver com poder?
Como podem as palavras se comparar com as armas?
Por acaso a linguagem já destruiu e construiu mundos?"
(resposta que a mãe dá à filha quando esta lhe diz que vai casar-se com um professor).

E que é o eu-professor, na ordem das coisas? E que eu sou, na ordem das coisas? Qual é mesmo essa ordem das coisas?

Até recorrer à historinha do menino que lança de volta à água as estrelas-do-mar amontoadas na praia, acreditando que pode fazer diferença ao menos àquela que lança - já que não pode salvar todas -, eu recorri. Que otimista!

Às vezes considero que refletir é prejudicial, sabe. A gente aprende na Academia que não, que é prática essencial e transformadora de realidades. A minha não se modificou... E quem formulou essa teoria já morreu.

Então pergunto por que, ó Deus, enredei-me pelos caminhos crítico-sociais? Por que não me tornei burguês? E se não me tornei, por que diabos não vivo como muitos outros que também não se tornaram, não se interessam por reflexões transformadoras, e para quem a felicidade é garantir um "churrasco e pagode" todo fim-de-semana?

Droga, perdi a hora! Tenho que voltar aos estudos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fel


Meu camarada você me deve. Eu só tenho 6 conto! Paga o lanche. Bora tomar uma depois? Tu que me deve, como te pago? Cartão? Tá, eu pago. E aí, ele tá solteiro? Disse que tá. Acredito não. Disse que gosta do muleque lá. Mentira! Não gosta e não tá solteiro, porra! Foi o que ele disse, acredito no que disse. Grande amigo você, não é? Sempre soube que gostava dele e agora dá o maior apoio pro amigo da tua mulher? Se fuder ambos, beleza? Ambos, não. Os três! Ah, pára de show, rapaz. Usa meu cartão, seu bosta, assina aí, fica com ele, gasta com tua mulher, com seu novo amigo, torra tudo! Aonde tu vai? Sumir! Espera, rapaz. O caralho! Espera, pára! Esp...

domingo, 22 de junho de 2008

O inferno são os outros



Nos últimos dias andei pensando sobre como eu não tenho problemas; meu problema são os outros! É um inferno... Entretanto hoje, navegando pela Internet, encontrei uma análise da famosa obra de Sartre "Entre 4 paredes", que me fez refletir:

"O inferno são os outros! Segundo Sartre, a famosa frase denuncia duas situações interligadas. Primeiro, se dependemos unicamente dos julgamentos e das ações dos outros, abdicando de nossa liberdade essencial e intransferível, criamos nosso próprio inferno, queimamos na fornalha alimentada por nossos próprios medos, pela má-fé, pela incapacidade de autonomia. Os outros não são necessariamente os causadores do meu sofrimento. Eu mesmo faço do outro o carrasco de minha tortura".

De fato, é o modo como encaro a vida que vai determinar meu algoz ou minha libertação. Tenho de admitir: já estou de saco cheio de estar sempre com a cabeça à guilhotina! Creio não mais ser necessário continuar situações conflituantes - externa e internamente - que simplesmente não valem a pena. O melhor mesmo é não depender dos outros ou criar relações mutualísticas. As relações devem ser tão somente de cooperação, mas acho que só agora, depois de uns tapinhas no orelhão, a ficha caiu (sim, o orelhão aqui é dos antigos!).

Ainda na análise da referida obra, outra frase caiu-me como uma bigorna na cabeça - dessas que caem em cima do Frajola, do Patolino, do Leôncio, enfim...

“[...] eu não te amaria, te conheço demais para isso”.

Como diria minha amiga Camis: "tonhionhionhoinnnn". É... tonhoinhoin na cabeça mesmo; sorvetão na testa!

Sabe, caros amigos leitores-fantasmas-que-nunca-comentam-o-que-escrevo, acho que vou na onda de vocês, quero desaparecer. Quem sabe como fantasma, perispírito, egun - seja lá como as religiões chamem isso - eu me sinta mais livre!

Mas que não me venham impor o céu ou o inferno por conta disso, estou farto desse dualismo! Só quero ser livre correndo por aí.

Livre dos outros, livre de mim mesmo...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Diálogo das perturbações interiores


Livre-arbítrio não existe! Claro que existe! O que te leva a crer que não? Ninguém tem liberdade de escolha. Isso não é livre-arbítrio, definitivamente. Mas Deus nos deixa livre para termos nossas escolhas. Por que você sempre recorre a Deus para te livrar de certos questionamentos? No fim das contas, é Ele quem responde, é Ele quem determina, é Ele quem diz "você tem sim livre-arbítrio", e você nunca assume o controle do que realmente pensa. "Amém!". Deus não te dá livre-arbítrio porque esse Maioral que você acredita te coloca só dois caminhos e você tem de escolher um - de preferência o Dele ou você é punido pela sua mão esmagadora... Ora, eu acredito, sim, em um ser superior, qual o problema? E minhas decisões são livres porque Ele não interfere no que decido. Existe o caminho bom e o ruim, é verdade, mas eu os escolhos, você vê? As escolhas são minhas, com suas respectivas conseqüências, também boas ou ruins. Ah claro, você decide entre os caminhos que Deus te apresenta, e isso é livre-arbítrio para você: estar submetido a caminhos pré-determinados por um ser superior. "Você tem este caminho que vai te levar à tristeza e este outro que vai te levar à felicidade, escolhe!". Isso é ser livre? Por esta razão me coloco de fora do livre-arbítrio, dessa discussão religiosa, e posso ter minhas próprias escolhas, em caminhos outros que decidir, ora entrando, ora saindo daqueles que dizem ser "os únicos", sem culpa, pois não me submeto a doutrina alguma, olho-as panoramicamente. Então você se considera livre? Eu não acredito em liberdade. Estamos a todo momento sendo escravos de algo, seja um discurso, um pensamento, um desejo, uma roupa. Por que eu simplesmente não posso usar uma roupa de ninfa grega e sair andando pela rua? Por que não? Porque não existe! E como não existe, eu uso o que determinaram que deve ser vendido nas malditas lojas! Você vê? No seu mundo cético também não há liberdade. Se não se é sumetido a Deus, se é aos homens. E melhor é me submeter a Deus, que não me pune pelas minhas escolhas, ao contrário do que você disse. Ele me deixa aprender com a própria vida. Ah, que belo! Deus é a mãe que vê a filha se aprontando para o baile da escola e sabe que tem um menino lá de olho nela; ela sabe que os dois vão acabar na cama, mas não faz nada! "Vai filha, vai ao baile, como você decidiu!". Então eu pergunto: qual o papel de Deus? Para que Ele existe se é só o voyer do plano espiritual? A despeito do seu exemplozinho nietzcheniano, penso que Deus nos trata sem dar nada na boca. É como se nos desse o alimento e deixasse a nossa escolha comê-lo ou não. Caso o coma, terei um corpo fortalecido, sendo a conseqüência boa; caso não, vulnerabilizo meu organismo, sendo a conseqüência ruim dessa escolha diferente. Não seria triste saber que nossas escolhas não influeciam em nada no pós-morte, que tudo acaba com o fim da vida biológica? Mas é natural! Impressionantemente o ser humano não aceita o fim das coisas. Se não aceita o fim de um simples relacionamento, sequer aceitará o fim da vida! E daí vêm as explicações e suposições para sua existência... E qual o sentido da vida se minhas escolhas terminam todas debaixo da terra ou em pó numa urna? Deixar um legado para a humanindade, ser lembrado, memorado nas páginas de um livro, nos discursos, nos pensamentos... É sublime! Ora, se não vou ter consciência para experienciar essa ocasião de ovacionamento, que sentido ainda teria isso? Acredite como quiser, meu amigo, afinal cada um tem uma verdade, é o que dizem. Contudo, o fato inexoravelmente empírico é que tudo acaba com a morte. É preciso aceitar essa realidade. E o que eu faço com as outras?

quarta-feira, 12 de março de 2008

Reflexão sobre si mesmo para evitar hábitos antigos



"O verbo 'radah' (dominar) tem suas raízes na ideologia dos reis do Oriente Antigo, que tinham a função de exercer o poder a fim de limitar a violência. Ele está associado ao ideal do bom pastor, que cuida do seu rebanho, conduzindo-o para uma boa pastagem".

Isso mesmo, fui conduzido a uma boa pastagem, como reflexo do meu caráter de jumento. Mas esta é apenas uma conseqüência da ilusão que insiste em dominar (radah) meus pensamentos: o eterno e nada produtivo. romantismo. Este acompanhado, acrescente-se, de expectativas irrealizáveis.

Três oportunidades me dei para voltar a acreditar no romantismo, acreditar que apesar das adversidades e do egoísmo, o ser humano ainda tinha jeito. Mas não tem, não! O que de melhor se podia esperar desta raça e daquele sentimento, esvaiu-se com o tempo. E acho muito difícil de se recuperar algo perdido.

Mas, espere! Como pude esquecer-me: "não se perde aquilo que nunca se teve". Exatamente! Então estou tranquilo... Preciso apenas sublimar o ocorrido.

Hora de colocar os pés no chão, senhor aquariano, e ser aquilo a que está destinado a ser: indiferente.
Seu jumento! Nhiii ron!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Águas do coração

Verdades ou mentiras; tristezas, fantasias, alegrias, incertezas. As águas do coração apenas jorram. Não como águas sujas e inconstantes, mas como as que correm em busca de seu destino, de água a rio no encontro com o mar - coração apaixonado. Turbulência.

Eis sua fraqueza: a solidão. Por ser tão só, o rio corre e vai longe, leva tudo consigo, não pára, não admira, só corre...


A sua força, dentro em nós, provém de sabe-Deus-onde, ou de Deus mesmo, onde quer que Ele se encontre nessa hora.

Que as águas me lavem dos amores passados - platônicos, socráticos, sofistas. Enfim, dos inatingíveis-iguais-ilusórios. Que me levem para longe e me afundem, então poderei de lá outro homem emergir.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Tríplice

É um tanto complexo admitir que cada ser humano tem a chave um do coração do outro, quando nem sempre é possível utilizá-la corretamente. Veracidade. De posse duma chave qualquer (não "qualquer", mas "comum", apenas, em decorrência de sua natureza universal), 1° tem-se que ter a consciência de que a possui; 2° É preciso saber o segredo da fechadura, o lado certo do encaixe; 3° O outro precisa permitir.

Os passos 1° e 3°, 2° e 3°, 1° e 2° combinados (em ordens quaisquer) são deficientes em si, pois falta-lhes "a tríplice". Eis a palavra: "tríplice"! A conquista é baseada em uma "tríplice" - passos 1°, 2° e 3° - para alguma semelhante situação que possa surgir. Reflita-se um instante: há barreiras aos que seguem este ordenamento? Fato é que o 3° passo não é de domínio próprio, mas já alguém possa possuir dois deles, tem meio-caminho andado.

Poderia não existir o terceiro passo...
Na verdade, "o que vem fácil, vai fácil" - dizem. Mantenha-se o 3°.

sábado, 28 de julho de 2007

As soon as your eyes meet

RACHEL: It'll all change when you meet Mr. Right.You don't know, not straight away. It just feels...warm and comfortable...and you hang in there and give it a chance, before you know it you're like. "Yeah ,this is it .Must be love."

LUCE: I don't agree. I think you know immediately. As soon as your eyes meet. Then everything that happens from then on just proves that you have been right in that first moment. When you suddenly realise that you were incomplete before and now you are whole.'

(Imagine Me & You)

Por que eu sou tão apaixonado por esse trecho? Imagino que se identifica bastante com minha vida... Primeiro, pela negação. Segundo, pela intensidade da afirmação. Contradições.

Mas há o olhar. Sempre o olhar...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Compreender é possível


Ontem foi um dia difícil.

Uma tarde inteira no aeroporto para me despedir de alguém muito importante para mim, mas que não teve a consideração de me comunicar que não apareceria na hora que informou, ou melhor, não foi sincero o suficiente para dizer que não queria me encontrar, pela situação que está vivendo, talvez. Tudo bem, é compreensível...

Àquelas pessoas que acredito ter afinidade de alma, não desejo mal algum; antes, compreendo, pois a verdade de seu coração transparece pelos seus olhos e não por atitudes ou palavras... Por isso, ainda acredito que essa pessoa tem suas razões e, antes de qualquer motivo plausível, pensou em não me magoar.

Estranho é querer não magoar já magoando, mas como diz Sto. Agostinho "dos males, o menor". Não posso acreditar em intenções maléficas vindas desse coração a que me refiro. Não. Isso não condiziria com seu olhar...

"Às vezes a distância ajuda
E essa tempestade um dia vai acabar"

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Na maca do tempo

Ainda desejo entender melhor o ser humano... Não o conhecimento pleno de todas as coisas ligadas a este ser infinitamente complexo, pois como diz Clarice Linspector "O bom é ser inteligente e não entender. (...) Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

O que desejo é compreender a loucura das pessoas - também a minha - quando querem algo e conseguem e se alegram e, logo em seguida, deixam para trás. Troféu, pano, pó.

É isso que almejo entender, mas não consigo! Acho que porque a vida (digo, a minha) é mesmo como o vento: muda a todo instante de direção.

Penso que às vezes perdemos oportunidades, sonhos, pessoas, e frenquentemente nos frustramos por isso... Mas pessoas, sonhos e oportunidades sempre retornam, mesmo que não seja da maneira como esperamos. Aliás, "pessoas vão e voltam, mas não se perde aquilo que nunca se teve", ouvi em uma canção... Acredito que pensar assim gera a cura para as feridas quando existe o diálogo constante entre o corpo, a mente, o espírito e o tempo.

E espero minha cura na maca do tempo, confiante, pois meu enfermeiro é o amor.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

E quando menos esperamos...

Sabe aquele dia que a gente acorda pensando "ah, nada demais vai acontecer hoje..."? Pois é.. Um dia a gente acaba pagando a língua!
Experiência própria.

Ontem foi minha vez...

Camisa da Seleção, calça jeans, barba por fazer, tênis sujo e então... "A gente pode se ver hoje?", "Vamos lanchar depois que você sair do trabalho?".

Camisa social, calça social. Sapatos.

Cuidados...

"Acontece quando menos esperamos", dizem...
Valha-me Santo Antônio! No seu dia?!

Ah!

"Se tu me cativas,
teremos necessidade um do outro"
(O Pequeno Príncipe)

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Somos o que pensamos

Como o Buda disse no Dhammapada: "somos o que pensamos".Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o mundo. Fale ou aja com uma mente impura e problemas te seguirão assim como a roda segue o boi que puxa a carroça. ... Fale ou aja com uma mente pura e a felicidade vai te seguir como sua sombra, imperturbável. Felicidade e tristeza dependem de nossas ações.

Sharon Salzberg, em "Lovingkindness".Tricycle's Daily Dharma, 22 de novembro, 2006.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Passos

Hoje poderia ser o primeiro dia da minha vida. Sim.

Há decisões a serem tomadas por um ser humano que não cabem na mente de um outro animal. Admiro os animais selvagens que vivem da 'providência' e são felizes por viverem assim. Eu, por outro lado, racionalizo tudo e não vejo muito sentido no mundo, a não ser pela fé.

Se desracionalizada a fé se torna, abre-se o mundo do mistério; o obscuro. É nesse momento que a interiorização profunda em busca do próprio eu se transforma em um caminho novo a ser desvendado, com suas maravilhas e seus medos; suas conquistas e exitações; e constantes indagações...

Hoje, comecei o meu caminho, a passos ora lentos, ora largos... Mas sempre caminhando. Esse é o real sentido da existência humana: o Caminhar. Não há nada fora dele, antes dele, atrás dele, acima ou abaixo. O Caminhar é a busca e o próprio sentido. O encontro consigo mesmo está ao longo percurso e não ao seu fim, pois o fim é a certeza da descoberta de si e a prontidão para um novo começo.

Hoje, ponho-me a caminhar para que o encontro com e no caminho me conduza ao seu fim.

O Recomeço.

terça-feira, 27 de março de 2007

Último Grão

Isabella Taviani
Composição: Isabella Taviani

Não demora agora
Há tanto pra gente conversar
Eu desejo e vejo a rua, você a atravessar
E os teus passos largos já não me incomodam
Não te acompanho mais, caminho do meu modo
Teus olhos turvos e poucos sinceros
Não me atormentam quanto mais eu enxergo

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção
Pra dizer adeus ao nosso, ao nosso coração

Tá na minha frente
Não se perturbe verdade é pra falar
Sei que vai morrer um pouco
Mas ainda há tanto pra lembrar

O teu sorriso lindo, indefinido
Suas mãos tão quentes atravessando o meu vestido
Palavras que falávamos simultaneamente
No meu ouvido o teu discurso indecente

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção
Pra dizer adeus ao nosso

Às vezes o amor
Escorre como areia entre os dedos
Não tem explicação para tantos erros
É melhor partir
Antes do último grão cair

sábado, 24 de março de 2007

Karma e Dharma

Uma vez aprendi com alguns espíritos que o ser humano segue a cada vida buscando o resgate de seu karma (dívida adiquirida), por meio de seu dharma (caminho que se deve trilhar para alcançar tal resgate).

Na verdade, não soube claramente a respeito nem da minha dívida, nem do meu caminho a seguir, nem o significado correto dessas duas palavras. Eles não me falaram, e talvez eu não tenha mais essa chance de descobrir. Talvez...

Misteriosamente (nem tanto), intuí hoje meu karma e meu dharma. Acho que porque, como escrevi na última postagem, "a ficha caiu" sobre um último relacionamento não-concretizado. Explico: uma história que sempre se repete na vida deve querer dizer algo. Seria ingenuidade achar que não... Afinal, todo ser humano sabe que a experiência ensina mais cedo ou mais tarde.

Havia colocado há poucas horas uma reflexão no meu Skype "will I find salvation in the arms of love? I don't think so..." (encontrarei salvação nos braços do amor? Acho que não...), e como ela fez sentido!

Tudo bem, tudo bem... Meu dharma então seria ajudar todas as pessoas que viessem a mim em busca de conselhos sobre sua vida amorosa. Em contrapartida, por escolha minha antes de reencarnar, não teria sorte no amor. Nunca estaria, até concretizado o resgate, "nos braços do amor", seguro. Enquanto ao meu karma, não tenho certeza ainda, mas talvez em outra vida tenha feito alguma(s) pessoa(s) sofrer(em) por minha falta de amor, desprezo, algo assim. E também devo ter sido rico, em vista da minha péssima atual situação financeira.

Falando nisso, eu lembro que a pouco dias atrás pedi a uma das minhas entidades que me mostrasse em sonho algo que esclarecesse minha vida passada. Lembro que sonhei com uma pessoa com quem estava saindo, e neste sonho ela trocava carícias com outro cara (pareciam felizes). Havia também, em outro momento do sonho, um amigo seu que nunca conversei, pois só o havia visto em fotos, e que discursava sobre a efemeridade das coisas e a confiança na força mais poderosa que existe dentro de nós mesmos (alguns chamariam Deus). Em um terceiro momento, apareceu um homem mostrando-me campos do alto de um monte; muitas terras, vastos campos agrícolas localizados em Mato Grosso do Sul... E mostrava tudo aquilo como pertencente a ele. Aquele homem, eu tinha certeza, era eu mesmo!

Se levar em consideração o sonho, eu realmente fui muito rico... Mas qual seria o motivo da falta de sorte no amor? A pessoa com quem estava poderia ter feito parte desse passado, por isso ela apareceu na minha vida... Ou talvez fosse um sinal do tipo "isso não vai funcionar, como todas as outras vezes". E o que realmente foi um fato nessa história toda? Quase 48 horas depois do sonho, essa pessoa terminou comigo.

O que concluir dessa minha última experiência? Bom, acredito que minha última encarnação foi recente. Fui dono de muitas terras e usei meu dinheiro de alguma forma errada, que me fez desprezar alguém (ou outros) que apenas buscava(m) meu amor. Ademais, meu sonho foi ainda mais longe. Mostrava um elemento importante para eu não sucumbir nesta vida atual: o desapego.

Meu karma, segundo minha intuição, seria resgatar essa dívida, esse desprezo ao ser humano em razão da minha segurança em meus bens. Assim, meu dharma só poderia ser viver com dinheiro suado, sem sorte no amor e conceder sempre uma palavra afável àquelas pessoas que necessitassem de conselhos na área afetiva de suas vidas, não importando o quanto isso pudesse me abalar emocionalmente.

Poderia isso ser verdade? Eu realmente não sei. Mas ao menos é algum tipo de explicação.
Talvez eu me libere desse ciclo se minha alma gêmea chegar um dia a ler o que escrevo, porque, dizem, ninguém nasceu neste mundo para viver sozinho...

A não ser que assim tenha escolhido, digo.