segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fel


Meu camarada você me deve. Eu só tenho 6 conto! Paga o lanche. Bora tomar uma depois? Tu que me deve, como te pago? Cartão? Tá, eu pago. E aí, ele tá solteiro? Disse que tá. Acredito não. Disse que gosta do muleque lá. Mentira! Não gosta e não tá solteiro, porra! Foi o que ele disse, acredito no que disse. Grande amigo você, não é? Sempre soube que gostava dele e agora dá o maior apoio pro amigo da tua mulher? Se fuder ambos, beleza? Ambos, não. Os três! Ah, pára de show, rapaz. Usa meu cartão, seu bosta, assina aí, fica com ele, gasta com tua mulher, com seu novo amigo, torra tudo! Aonde tu vai? Sumir! Espera, rapaz. O caralho! Espera, pára! Esp...

domingo, 22 de junho de 2008

O inferno são os outros



Nos últimos dias andei pensando sobre como eu não tenho problemas; meu problema são os outros! É um inferno... Entretanto hoje, navegando pela Internet, encontrei uma análise da famosa obra de Sartre "Entre 4 paredes", que me fez refletir:

"O inferno são os outros! Segundo Sartre, a famosa frase denuncia duas situações interligadas. Primeiro, se dependemos unicamente dos julgamentos e das ações dos outros, abdicando de nossa liberdade essencial e intransferível, criamos nosso próprio inferno, queimamos na fornalha alimentada por nossos próprios medos, pela má-fé, pela incapacidade de autonomia. Os outros não são necessariamente os causadores do meu sofrimento. Eu mesmo faço do outro o carrasco de minha tortura".

De fato, é o modo como encaro a vida que vai determinar meu algoz ou minha libertação. Tenho de admitir: já estou de saco cheio de estar sempre com a cabeça à guilhotina! Creio não mais ser necessário continuar situações conflituantes - externa e internamente - que simplesmente não valem a pena. O melhor mesmo é não depender dos outros ou criar relações mutualísticas. As relações devem ser tão somente de cooperação, mas acho que só agora, depois de uns tapinhas no orelhão, a ficha caiu (sim, o orelhão aqui é dos antigos!).

Ainda na análise da referida obra, outra frase caiu-me como uma bigorna na cabeça - dessas que caem em cima do Frajola, do Patolino, do Leôncio, enfim...

“[...] eu não te amaria, te conheço demais para isso”.

Como diria minha amiga Camis: "tonhionhionhoinnnn". É... tonhoinhoin na cabeça mesmo; sorvetão na testa!

Sabe, caros amigos leitores-fantasmas-que-nunca-comentam-o-que-escrevo, acho que vou na onda de vocês, quero desaparecer. Quem sabe como fantasma, perispírito, egun - seja lá como as religiões chamem isso - eu me sinta mais livre!

Mas que não me venham impor o céu ou o inferno por conta disso, estou farto desse dualismo! Só quero ser livre correndo por aí.

Livre dos outros, livre de mim mesmo...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Diálogo das perturbações interiores


Livre-arbítrio não existe! Claro que existe! O que te leva a crer que não? Ninguém tem liberdade de escolha. Isso não é livre-arbítrio, definitivamente. Mas Deus nos deixa livre para termos nossas escolhas. Por que você sempre recorre a Deus para te livrar de certos questionamentos? No fim das contas, é Ele quem responde, é Ele quem determina, é Ele quem diz "você tem sim livre-arbítrio", e você nunca assume o controle do que realmente pensa. "Amém!". Deus não te dá livre-arbítrio porque esse Maioral que você acredita te coloca só dois caminhos e você tem de escolher um - de preferência o Dele ou você é punido pela sua mão esmagadora... Ora, eu acredito, sim, em um ser superior, qual o problema? E minhas decisões são livres porque Ele não interfere no que decido. Existe o caminho bom e o ruim, é verdade, mas eu os escolhos, você vê? As escolhas são minhas, com suas respectivas conseqüências, também boas ou ruins. Ah claro, você decide entre os caminhos que Deus te apresenta, e isso é livre-arbítrio para você: estar submetido a caminhos pré-determinados por um ser superior. "Você tem este caminho que vai te levar à tristeza e este outro que vai te levar à felicidade, escolhe!". Isso é ser livre? Por esta razão me coloco de fora do livre-arbítrio, dessa discussão religiosa, e posso ter minhas próprias escolhas, em caminhos outros que decidir, ora entrando, ora saindo daqueles que dizem ser "os únicos", sem culpa, pois não me submeto a doutrina alguma, olho-as panoramicamente. Então você se considera livre? Eu não acredito em liberdade. Estamos a todo momento sendo escravos de algo, seja um discurso, um pensamento, um desejo, uma roupa. Por que eu simplesmente não posso usar uma roupa de ninfa grega e sair andando pela rua? Por que não? Porque não existe! E como não existe, eu uso o que determinaram que deve ser vendido nas malditas lojas! Você vê? No seu mundo cético também não há liberdade. Se não se é sumetido a Deus, se é aos homens. E melhor é me submeter a Deus, que não me pune pelas minhas escolhas, ao contrário do que você disse. Ele me deixa aprender com a própria vida. Ah, que belo! Deus é a mãe que vê a filha se aprontando para o baile da escola e sabe que tem um menino lá de olho nela; ela sabe que os dois vão acabar na cama, mas não faz nada! "Vai filha, vai ao baile, como você decidiu!". Então eu pergunto: qual o papel de Deus? Para que Ele existe se é só o voyer do plano espiritual? A despeito do seu exemplozinho nietzcheniano, penso que Deus nos trata sem dar nada na boca. É como se nos desse o alimento e deixasse a nossa escolha comê-lo ou não. Caso o coma, terei um corpo fortalecido, sendo a conseqüência boa; caso não, vulnerabilizo meu organismo, sendo a conseqüência ruim dessa escolha diferente. Não seria triste saber que nossas escolhas não influeciam em nada no pós-morte, que tudo acaba com o fim da vida biológica? Mas é natural! Impressionantemente o ser humano não aceita o fim das coisas. Se não aceita o fim de um simples relacionamento, sequer aceitará o fim da vida! E daí vêm as explicações e suposições para sua existência... E qual o sentido da vida se minhas escolhas terminam todas debaixo da terra ou em pó numa urna? Deixar um legado para a humanindade, ser lembrado, memorado nas páginas de um livro, nos discursos, nos pensamentos... É sublime! Ora, se não vou ter consciência para experienciar essa ocasião de ovacionamento, que sentido ainda teria isso? Acredite como quiser, meu amigo, afinal cada um tem uma verdade, é o que dizem. Contudo, o fato inexoravelmente empírico é que tudo acaba com a morte. É preciso aceitar essa realidade. E o que eu faço com as outras?