Livre-arbítrio não existe! Claro que existe! O que te leva a crer que não? Ninguém tem liberdade de escolha. Isso não é livre-arbítrio, definitivamente. Mas Deus nos deixa livre para termos nossas escolhas. Por que você sempre recorre a Deus para te livrar de certos questionamentos? No fim das contas, é Ele quem responde, é Ele quem determina, é Ele quem diz "você tem sim livre-arbítrio", e você nunca assume o controle do que realmente pensa. "Amém!". Deus não te dá livre-arbítrio porque esse Maioral que você acredita te coloca só dois caminhos e você tem de escolher um - de preferência o Dele ou você é punido pela sua mão esmagadora... Ora, eu acredito, sim, em um ser superior, qual o problema? E minhas decisões são livres porque Ele não interfere no que decido. Existe o caminho bom e o ruim, é verdade, mas eu os escolhos, você vê? As escolhas são minhas, com suas respectivas conseqüências, também boas ou ruins. Ah claro, você decide entre os caminhos que Deus te apresenta, e isso é livre-arbítrio para você: estar submetido a caminhos pré-determinados por um ser superior. "Você tem este caminho que vai te levar à tristeza e este outro que vai te levar à felicidade, escolhe!". Isso é ser livre? Por esta razão me coloco de fora do livre-arbítrio, dessa discussão religiosa, e posso ter minhas próprias escolhas, em caminhos outros que decidir, ora entrando, ora saindo daqueles que dizem ser "os únicos", sem culpa, pois não me submeto a doutrina alguma, olho-as panoramicamente. Então você se considera livre? Eu não acredito em liberdade. Estamos a todo momento sendo escravos de algo, seja um discurso, um pensamento, um desejo, uma roupa. Por que eu simplesmente não posso usar uma roupa de ninfa grega e sair andando pela rua? Por que não? Porque não existe! E como não existe, eu uso o que determinaram que deve ser vendido nas malditas lojas! Você vê? No seu mundo cético também não há liberdade. Se não se é sumetido a Deus, se é aos homens. E melhor é me submeter a Deus, que não me pune pelas minhas escolhas, ao contrário do que você disse. Ele me deixa aprender com a própria vida. Ah, que belo! Deus é a mãe que vê a filha se aprontando para o baile da escola e sabe que tem um menino lá de olho nela; ela sabe que os dois vão acabar na cama, mas não faz nada! "Vai filha, vai ao baile, como você decidiu!". Então eu pergunto: qual o papel de Deus? Para que Ele existe se é só o voyer do plano espiritual? A despeito do seu exemplozinho nietzcheniano, penso que Deus nos trata sem dar nada na boca. É como se nos desse o alimento e deixasse a nossa escolha comê-lo ou não. Caso o coma, terei um corpo fortalecido, sendo a conseqüência boa; caso não, vulnerabilizo meu organismo, sendo a conseqüência ruim dessa escolha diferente. Não seria triste saber que nossas escolhas não influeciam em nada no pós-morte, que tudo acaba com o fim da vida biológica? Mas é natural! Impressionantemente o ser humano não aceita o fim das coisas. Se não aceita o fim de um simples relacionamento, sequer aceitará o fim da vida! E daí vêm as explicações e suposições para sua existência... E qual o sentido da vida se minhas escolhas terminam todas debaixo da terra ou em pó numa urna? Deixar um legado para a humanindade, ser lembrado, memorado nas páginas de um livro, nos discursos, nos pensamentos... É sublime! Ora, se não vou ter consciência para experienciar essa ocasião de ovacionamento, que sentido ainda teria isso? Acredite como quiser, meu amigo, afinal cada um tem uma verdade, é o que dizem. Contudo, o fato inexoravelmente empírico é que tudo acaba com a morte. É preciso aceitar essa realidade. E o que eu faço com as outras?